Meu luto e os luto dos outros | Nomoblidis | Posvenção do suicídio
Meu luto e o luto dos outros
09/12/2019
Enigma | Posvenção do Suicídio | Nomoblidis
Enigma
03/02/2020
O Suicídio, os julgamentos, condenações e a salvação

O Suicídio, os julgamentos, condenações e a salvação.

E costumo dizer que com a morte da Marina, conheci o lado bom de muita gente, mas também conheci o lado ruim e estou escrevendo isso para ilustrar o quão o preconceito com as famílias enlutadas pelo suicídio é algo que às vezes é sutil mas que machucam. 

No dia do enterro da Marina, houve uma cena que por um tempo ficou adormecida nas minhas lembranças, uma das melhores amigas da Marina veio conversar comigo, me abraçou e choramos juntas.

A Marina e ela eram amigas desde o ensino médio.  As duas conversavam muito, Marina contava à ela das angústias e do desespero de não saber lidar com os sentimentos, que a depressão estava a deixando sem esperança, contava que eu, não estava sabendo agir com a situação e realmente não sabia.

Depois de um tempo uma mulher se aproximou, a amiga me apresentou como sendo a sua mãe, a mulher me olhou com um olhar frio, falou um oi, pegou a filha pelos ombros e a tirou de perto de mim. 

Achei estranho a forma como a mulher agiu mas pensei que a maior preocupação dela fosse a filha, a amiga acompanhou de longe todo o processo de sofrimento da Marina do tratamento contra a depressão e da internação após a tentativa de suicídio, a filha perdeu uma amiga e estava sofrendo.

Um outro caso foi de um amigo do Joseval que é religioso, ele nunca emitiu uma palavra com relação a morte da Marina, nunca falou nada sobre o assunto, ele nos conhecia, eu o recebia em minha casa, a Marina gostava dele e ele sempre se referia a ela com carinho. 

Não me abalou o não falar daquela mãe, afinal não nos conhecíamos, conhecia a filha dela e ela a minha e eu nem sei qual o nome dela, então a forma como ela agiu no dia não me fez mal, pois não ligo para pessoas que não conhecem a minha história não me importam seus pensamentos ou julgamentos, mas a do amigo do Joseval que eu considerava também como amigo, mexeu comigo.

Com o tempo fui percebendo que a falta de conhecimento, o achismo das pessoas baseado em algumas crenças maltratam quem já sofre pela perda e com isso vem o temor de falar sobre suicídio, para não afastar mais as pessoas.

Não quero ser hipócrita em julgar quem me julga mas aos poucos fui entendendo que quando o tema é morte  por suicídio o tabu é muito grande e que ao falar disto e que ao envolver crenças e religiões, podem surgir algumas explicações para a forma de agir de cada um.

Pois o preconceito vem justamente daí, como a morte é algo esperado mas que jamais deve ser antecipado, as religiões têm um papel importante neste tabu. A maioria das religiões condena o suicídio pois é uma interrupção forçada do ciclo natural, só Deus pode tirar a vida. É falta de fé, de temor a Deus, egoísmo etc.

Nas religiões cristãs, o suicídio é considerado pecado pois matar é pecado e a  vida é uma dádiva divina e se negar a viver é uma afronta. Comete pecado mortal quem se mata. Pecado mortal entende-se por perder a salvação. E salvação de um cristão é a vida eterna, plena, aquela vida prometida à todos descendentes de Adão e Eva em Gênesis nas escrituras sagradas.

Não vou me aprofundar no assunto religião, apenas na minha percepção e na minha vivência de uma pessoa que vive um luto complicado. Fui criada nos preceitos do catolicismo e creio em um Deus misericordioso.

Mas o que mais me intriga, quando uma pessoa chega para alguém que perdeu um ente querido vítima do suicídio não é o não falar é  falar que o falecido perdeu a salvação, que foi para o inferno, umbral ou coisa que o valha, causando um grande sofrimento a quem ficou, pois além da perda ainda ter que lidar com o  julgamento e a condenação, a ponto de eu me questionar o motivo de tanta maldade.

Maldade de pessoas que se dizem cristãs que acham que possuem procuração de  Deus e podem sair julgando e condenando os outros, eu os chamo de fiscais de pecados alheios. Pois se para esse fiscal, que acredita que a busca pela salvação é em vida e que se o falecido a perdeu, de que adianta sair falando para seus parentes que a salvação não existe mais? 

O que poderia fazer por minha filha, após a morte dela a não ser orar por ela, pedindo a misericórdia divina, já que creio nela ou ainda não poder chorar por ela, para não atrapalhar o seu desenvolvimento espiritual, chorarei por quem?  Mas os fiscais, querem a todo custo, colocar na conta da família mais culpa e mais desamparo. 

Um dia, uma conhecida, depois de uma longa conversa sobre fé e religiosidade, me perguntou se eu sabia que tudo que eu faço, blog, grupos e afins, não ajudam na salvação da alma da Marina e que se eu estava fazendo isso com esse intuito, seria em vão. 

Eu perguntei o que ela entendia por salvação e a resposta foi de que a salvação se busca em vida, é individual e que está na graça e não nos atos de caridade e afins, então simplesmente respondi que se a salvação é individual, que ela cuidasse da dela que da minha eu cuidaria e encerrei a conversa. 

Penso que fiscais e juízes dos pecados alheios que se acham com a procuração divina, deveriam fazer algo de bom para a eles e para o próximo e que não são donos da verdade, aliás sou incapaz de compreender a salvação da forma como eles a pregam.

Pois eu creio em Deus de amor e que Ele não desampara seus filhos que estavam em sofrimento e que minha filha Marina foi amparada. E é nisso que acredito e não aceito que ninguém tente me convencer do contrário.

Quanto a amiga da Marina, mantenho o contato, nos falamos de vez em quando. O amigo do Joseval, cortei relações, e a conhecida continua na sua incessante busca pela salvação e eu, viverei os dias que me restam fazendo o que me ajuda a passar por eles da melhor forma possível, sem busca de recompensas, apenas tentando ter meus dias mais leves.

28 Comments

  1. Suzete disse:

    Ah Terezinha, como esse Deus é um Deus de amor. Quanto amor ele dá a você, para que você e Joseval continuem respirando. Sou muito feliz por ter vc em minha vida!

    • Terezinha C. G. Maximo disse:

      Minha eterna gratidão a você Suzete, por tudo.

      • Alba Lúcia de Sousa Lima disse:

        Uma amiga me indicou esse site.
        Estou passando por um luto. Meu lindo e amado filho cometeu suicídio no dia 23 de outubro. Estou com o coração partido. Tento levar a vida, pois tenho outro filho, que está sofrendo muito pela morte do irmão.
        Vejo que algumas pessoas mais próximas, alguns parentes não gostam que eu comente o ocorrido e não me permitem chorar. Isso me deixa irritada, então deixo pra chorar sozinha e pela madrugada a dentro.

        • eliana bedusqui disse:

          Alba, tem que chorar senão a gente enlouquece, pelo.menos é assim que eu penso… Qto a família, amigos e etc… Cada um que cuide da sua vida, não tem que impedir e nem privar vc dos seus sentimentos, quem está sofrendo é vc então alguém que não passou pelo que vc passou não tem nem idéia do que é sofrer…

        • Terezinha C. G. Maximo disse:

          Alba, sinto muito por sua perda, espero que você se sinta acolhida neste espaço. Tudo que escrevo é o que sinto, tudo que escrevo passei e passo. Uma das coisas que aprendi é que devemos gastar a nossa dor, chorar, gritar, para poder conseguir seguir em frente.O luto é individual você vai aos poucos encontrando os seus próprios meios de passar por ele e dividir o que sente, pode ser um desses meios, não se cobre por uma melhora rápida e principalmente, não deixe que quem não vive sua dor, palpitar sobre ela. Um grande e forte abraço.

        • Ana Carvalho disse:

          Oi Alba! Primeiramente lamento pelo seu filho. Desejo com todo o meu coração que a alma dele esteja em descanso e que você e seu outro filho encontrem conforto e luz, apesar disso tudo.
          Infelizmente, por causa do tabu as pessoas geralmente não sabem como lidar. Com isso fazem esse tipo de besteira.
          Mas você tem sim todo o direito de chorar o quanto precisar pela morte do seu garoto. E queria te deixar uma sugestão: Que tal um grupo de apoio a sobreviventes? A própria dona do blog faz parte de um e existem vários por ai. Seria uma opção pra você poder desabafar da sua dor com pessoas que passam pelo mesmo. Fazer terapia também pode te ajudar muito nesse processo, ser ouvida sem julgamentos por um profissional que te ajude a encontrar o melhor caminho.
          Já pensou em uma dessas opções?
          Paz!

  2. Mary disse:

    Engraçado, que hoje uma parente de minha mãe, passou por mim e cuspio no chão, como me culpando, me virando a cara, e eu sempre a ajudei mto pq minha mãe pedia, tenho “conhecidos” evangélicos que falaram em alto e bom tom semanas após o ocorrido com minha mãe que o suicida nao vai para o céu, por esta razão eu abomino a religião evangélica, eles são os mais ignorantes e cegos guiando cegos, o “Deus” que eles pregam não existe. Me pergunto Terezinha como está sendo hoje para vc na virada de ano, estou aqui deitada, não tenho o que comemorar. Não sei até onde irei. O que mais descobri e na verdade sempre soube, na vida somos nós e nós, não existem amigos nem amores na desgraça. 2019 perdi minha mãe, amigos e descobri que sempre fui eu e eu. E sabe de uma coisa? Não ligo para nenhum deles. Danem-se. Hoje é a virada de ano e não tenho o que comemorar.

    • Terezinha C. G. Maximo disse:

      Sabe Mary eu tenho minha fé e religiosidade, mas as vezes me deixava contaminar com palavras e atos de pessoas que batem no peito que são cheias de um deus que para mim não existe, um deus ruim, vingativo, opressor e cruel. Minha virada do ano foi como nos 3 anos anteriores, com meu marido e filho em casa, não abri a janela para ver os fogos, apenas ouvi, fiz minha oração e fui dormir. Para mim é um dia como outro qualquer, só mais barulhento. Claro que é inevitável toda a saudade, mas espero que este ano seja mais leve, mais sereno para todos nós. Um grande e forte abraço.

    • Maria Aparecida Oliveira Santos disse:

      A minha família e a do meu marido são de evangélicos e ninguém teve coragem de fazer uma oração, achei muito estranho, mas cada um, cada um né, eu rezei e pedi a Deus por ele.

      • Terezinha C. G. Maximo disse:

        Maria Aparecida, não sabia de muita coisa a respeito dos julgamentos até passar por eles. Percebi que algumas evangélicos principalmente de algumas denominações neopentecostais não vão a enterros de suicidas e nem falam mais com os familiares, como se fosse uma doença contagiosa.
        Culpam a família e condenam o falecido. Era tão inocente com relação a isso que até ouvir a histórias de pessoas que eram membros ativos de certas denominações e que foram julgadas pela morte de seus parentes. Aí percebi que alguns amigos e parentes evangélicos se afastaram e ao tentar saber o motivo, descobri que é isso.
        A família fica marcada. Por isso tantas pessoas escondem a real causa mortis de seus parentes.
        Mas não me preocupo com isso. Sigo em paz com a minha vida.

        • Karla Cristine Magalhães disse:

          Eu tenho certeza que Deus em sua infinita misericórdia e sabedoria acolhe seus filhos doentes para que se por acaso não conseguirem a cura aqui nesta terra para suas doenças da alma ,ele cuidará delas e elas serão curadas nos seu braços de amor!!!

          • Alba Lúcia de Sousa Lima disse:

            Também creio nisso Karla. Meu filho tão cuidadoso comigo, com os amigos, com o irmão, com os animais. Como Deus vai condenar um jovem que eu acredito ser filho dele desde que eu o gerei. Vou seguindo dia após dia acreditando que meu filho está na glória de Deus, junto com Nossa Senhora e com Cristo.

        • Mary disse:

          Exatamente isso, temos vizinhos bem chegados evangélicos, vizinhos de porta e não foram nem no velório e nem em minha casa dar um abraço. No velório não foi ninguém, e o pastor da igreja que minha mãe frequentava qdo foi dar a palavra que nos pedimos ele disse que não podia orar por mortos, mas que iria orar pelos vivos que estavam ali, para que cada um aproveitasse seu próximo enquanto vivos que depois de mortos nada mais se podia, e claro com aquele tom de que minha mãe não foi salva. Não existe isso de salvação, o Deus que eles pregam é cruel, egoísta, mesquinho e egocêntrico, ainda bem que ele não existe. Lembrei de um colega de trabalho que uma semana após a morte da minha mãe chegou e me disse, “tu sabes que não existe salvação para o suicida né? Pois que desculpa pode ter para uma pessoa desperdiçar o maior dom que Deus deu? E quantas pessoas querem ter saúde e não têm? E a bíblia fala que o assassino irá para o inferno, e o suicida é assassino, e seria injusto com nós ( no caso ele e os da igreja dele) que seguimos a palavra.” Olha me dá nojo, e eu fui tão boa que não Rebati, só disse o seguinte, “discordo de vc mas respeito teu ponto de visto, mas este Deus que tu falas pra mim é um satanás, inferno não existe, o inferno nada mais é que um estado de espírito, quem se mata não vai para o inferno, já está em um. Me dá nojo de lembrar. Passei a virada na minha casa deitada aumentei a tv para não ouvir os fogos. Moro próximo a praia e é bem difícil, fui traída pelo meu namorado de oito anos na mesma semana que minha mãe faleceu, voltei depois e após 15 dias ele inventou uma desculpa e foi atrás de outra. Terezinha está semana estou acometida de uma revolta, sabe o que escrevi hoje mesmo em um insta? Uma menina se suicidou e mtas outras estavam comentando que ela foi corajosa que queriam fazer o mesmo, eu falei que se elas pudessem se matar e ter uma segunda chance e pudessem ver o que fazem com as famílias elas não fariam jamais isso, os suicidas só se matam pq não sabem e não fazem ideia da dor que deixam e por isso eu os perdôo, eles não sabiam o que estavam fazendo com quem fica, pois se soubessem e ainda assim o fizessem eu desejaria um inferno igual o que eles deixam perpetuamente para eles. O suicida mata seu corpo, e mata a alma de quem fica e os aprisiona em um corpo carnal, o qual queima de dor eternamente e não tem escolha de fuga, pois conhecendo a dor ( pois somente um enlutados por suicídio pode dizer que sabe realmente o que é dor)não farão o mesmo com os outros entes queridos que ficaram. Ou seja, o suicida mata a si próprio e condena quem fica a morte em vida, passamos a ser sobreviventes presos em um corpo, melhor seria que o suicida desse um tiro em cada ente. Eu falei mais ou menos isso, estou c uma revolta pq sim pra mim o suicida é covarde e egoísta, minha mãe não amou, quem ama resiste até o fim. Só não a odeio pq sei que ela não tinha noção assim como os outros suicidas da dor que deixaria, se de onde eles estiverem elas puderem ver isso( e pra mim não estão vendo, é o que acredito), ou se um dia puderem ver, irão se arrepender mto do mal que fizeram, se existe um tribunal eles foram os juizes e nos condenaram a morte eterna. Eles não tinham noção disso. Está semana me bateu uma revolta, minha mãe não merecia ser mãe, como uma pessoa tem filhos para fazer isso depois? Como vc pode por a responsabilidade de sua vida na mãos de outros? Uma coisa é certa o suicida amou mais a si do que os outros, mas sei que eles realmente não tinham noção do que fariam conosco. Desculpa o desabafo, tem dias que sinto culpa, está semana estou achando MTA loucura, e com raiva de minha mãe ter feito isso, td se destruiu. Acho que quem não ama, não deveria ser amado. Pq eu posso não ter sido a melhor filha, carinhosa, presente, mas ela também não foi a melhor mãe, eu também passei por altos e baixos na vida e ao menos eu não deixei está dor a ela, eu amei de verdade. Minha mãe se suicidou após uma discussão com meu pai onde ela me defendia,.eu tinha discutido c ele por ele ser terrível com as palavras e ela foi me defender, passei o dia fora pq estava c problemas no meu relacionamento ( tinha terminado meu namoro) e qdo volto a encontro morta, sinto MTA culpa, pq vi ela gritando mto com meu pai, descontrolada, e simplismente sai de casa e a deixei sozinha com ele. Terezinha que bom que ao menos vc sabe que não teve culpa, não foi o meu caso. Que seu coração tenha paz.

          • Souza disse:

            Mary, lamento muito a sua dor.
            Hoje eu tenho 41 anos, casado, filhos… Aos 19 anos tentei o suicídio e sobrevivi. Quando saí do hospital e reencontrei minha mãe eu percebi o sofrimento que havia causado a ela e para toda a minha família, percebi como foi bom ter uma segunda chance. Apesar de conviver com a depressão até hoje, ver a dor dos meus familiares me fez jurar para mim mesmo que nunca mais tentaria tirar minha vida novamente.
            A gente não cansa de viver, a gente cansa de sofrer. E tudo ocorre em um impulso incontrolável. A vontade de se ver livre da sensação de vazio, de falta de sentido e desespero nos faz achar que o fim da vida nos trará paz. Perdoem o impulso e o sofrimento causado. A depressão severa nos tira o discernimento, a capacidade de nos colocar no lugar do outro, nos deixa cegos para imaginar a dor que causaremos na família.

          • Terezinha C. G. Maximo disse:

            Souza,

            Obrigada pelo seu comentário, ele nos traz uma reflexão e respostas para as perguntas que a maioria de nós que ficamos, fazemos e sabemos que nunca teremos de nossos entes queridos, mas que você que conseguiu seguir adiante nos traz uma luz: “o não pensou em ninguém” e “foi egoísta”.
            Seu comentário nos mostra que realmente se perde o discernimento quando está em crise e o que a pessoa quer é somente acabar com a dor que o está dilacerando.
            Um grande e forte abraço.

  3. Maria Aparecida Oliveira Santos disse:

    A minha família e a do meu marido são de evangélicos e ninguém teve coragem de fazer uma oração, achei muito estranho, mas cada um, cada um né, eu rezei e pedi a Deus por ele.

  4. Cláudia disse:

    Pra nós que ficamos eh mesmo terrível esse turbilhão de sentimentos pelos quais passamos: dor, sofrimento, incompreensão, revolta e tantos outros…eu sou sobrevivente novamente do suicídio, primeiro da minha mãe qdo eu tinha três anos, e agora da minha filha que eu tanto amava…eh muito difícil ser sobrevivente, eh muito difícil lidar com todos esses sentimentos, e mais ainda lidar com as saudades que nos acompanham e que nos acompanharão para sempre. Mas compartilhando com outras pessoas que também passam por isso eh uma forma de amenizar nossa dor. Hj eu também me senti revoltada com minha mãe, mas ao ler o que a Therezinha e outras pessoas escreveram, percebi que também não devo responsabilizá-la ou julgá-la, foi algo muito mais forte que elas infelizmente…eh tudo muito complexo…Que nós sobreviventes possamos com o tempo aprender à lidar com tudo isso…Obrigada Therezinha pelos seus textos que nos ajudam nessa trajetória!!

  5. Alba Lúcia de Sousa Lima disse:

    Também creio nisso Karla. Meu filho tão cuidadoso comigo, com os amigos, com o irmão, com os animais. Como Deus vai condenar um jovem que eu acredito ser filho dele desde que eu o gerei. Vou seguindo dia após dia acreditando que meu filho está na glória de Deus, junto com Nossa Senhora e com Cristo.

    • Renata disse:

      Seu texto é maravilhoso. Esse ponto foi muito dolorido no meu processo de luto. Espíritas especialmente , pessoas próximas , já falaram absurdos para mim. Mas hoje eu entendo como ignorância. Perdi meu pai em março de 2019 por suicídio e a experiência é tremenda. Hoje estou bem, mas é um processo de muito aprendizado. Mas isso me dói tanto… o julgamento das pessoas é triste demais. Isso me tornou até mais amarga com relação ao ser humano sabe ? Mas eu não perdi a minha felicidade. Fazendo terapia estou entendendo as coisas. Obrigada pelo grupo!

  6. Emilia Veloso disse:

    Oi Terezinha
    O meu marido cometeu suicídio dia 24 de dezembro, me deixou nossas filhas uma de dois anos e uma de dez meses, é muito difícil entender essa dor, me sinto só e por mais que a minha mãe me ajude, eu sei que ela sofre muito me vendo sofrer, estou tentando ao máximo ficar bem, porque as filhas precisam de mim! A cada dia a saudade parece que vai acabar comigo, gostaria de saber o que faz para diminuir um pouco essa dor, e queria entender um pouco mais o porque. Muito obrigada pelo espaço para falar sobre essa dor e que Deus abençoe.

    • Terezinha C. G. Maximo disse:

      Emília, sinto muito por sua perda.
      O luto é um processo individual mas o que eu aprendi logo no começo foi que ele deve ser vivido, para conseguir prosseguir, ao menos comigo está sendo assim.
      Fui testando o que me fazia bem e o que me fazia mal. Aos poucos descobri que por ser um tabu o suicídio, algumas pessoas se afastaram por não saber lidar, não sabem o que falar, não sabem como agir.
      E se teve algo que me ajudou e me ajuda muito foi compartilhar meus sentimentos com que passou pelo mesmo, participo de grupos de apoio.
      O porque é uma incógnita e essa pergunta sem resposta, carregarei para sempre, assim como a saudades.
      Um grande e forte abraço.

      • Marcia disse:

        Eu também
        Infelizmente passei por isso. Minha filha de 12 anos partiu e hoje mora no céu. Apesar de ter certeza que ela está bem e em paz juntamente com Jesus a ausência dela aqui doe demais. Eu não achei nenhum grupo de apoio para sobreviventes do suicídio aqui onde moro, como vc disse ainda existe um tabu muito grande sobre isso. Sinto como se algumas pessoas da família tivesse vergonha de falar sobre o que aconteceu, e em casa ficou aquele silêncio. Eu engravidei dois meses depois que minha filha partiu, eu nunca falei sobre o motivo da minha gravidez mas a verdade é que essa foi a forma que eu encontrei de me manter viva até assimilar tudo, saber que existe uma vida dependendo da minha vida me faz em não desejar morrer. Também tenho uma outra filha de 3 anos e é por ela também que preciso continuar aqui, sinto tanto medo de que o mesmo aconteça com algumas delas, sinto pavor e medo extremo em pensar que um dia elas vão crescer, tenho medo de nao conseguir ser a mãe que elas precisam, mesmo sabendo não tive culpa alguma em relacao só que aconteceu com minha filha mais velha eu me sinto culpada, culpada por não ter conseguido proteje-la apesar de ter feito tudo que poderia fazer.

  7. Livia Mendonça disse:

    Sofro muito com esse tipo de comentário e minha alma chegava a doer. Certo dia, em meio a uma dor insuportável recorri a um padre e falei sobre o assunto. E ele me confortou com as palavras de São João Maria Vianey: ” Entre o último suspiro e a vida eterna, existe um abismo de misericórdia”. Essas palavras foram tão fortes que todas as vezes que penso no fato, sinto uma paz inexplicável. Creio num Deus misericordioso. Paz a todos.

    • Terezinha C. G. Maximo disse:

      Lívia, Sinto muito or sua perda, eu também acredito nesta misericórdia.
      Um grande e forte abraço.

      • Lee disse:

        Lindo e triste o teu site. Meus parabéns em ajudar tantas pessoas entristecidas e muitas vezes desanimadas. Paz e Bem.
        Grande abraço a todos.

        Licínia

    • Renata disse:

      Exatamente. Quando meu pai se suicidou, no mesmo dia, antes do enterro, fui no desespero procurar aconselhamento com o padre. Ele falou sobre a misericórdia de Deus. E fico tranquila quanto a isso. Não ouço ignorantes. Estou tranquila. Seja o que Deus quiser.

  8. Mara disse:

    Pois eu creio em Deus de amor e que Ele não desampara seus filhos que estavam em sofrimento e que minha filha Marina foi amparada. E é nisso que acredito e não aceito que ninguém tente me convencer do contrário.
    Eu faço minha suas palavras acima pois acredito que meu filho está nos braços de Deus. Tenho um afilhado que é padre e no velório do meu filho ele deixou bem claro pra todos que estavam na missa que ninguém tem o direito de julgar pois só meu filho é Deus sabe o que o levou a esse ato tão extremo.

  9. SIDNEI FERRAZ DE SOUZA disse:

    boa tarde Terezinha , gostei de ler seu post, me chamo Sidnei e sou Evangélico Cristão e logo de cara desafio a qualquer crente a provar onde está escrito na Bíblia que podemos saber quem foi salvo e quem não foi, estudo a Bíblia a 20 anos, e a parte que mais tento praticar é não julgar a arvore, a não ser pelos frutos. (Mt 7:16).
    Isso nos da uma ideia de quem são as pessoas, mais mesmo assim não posso ter certeza de quem foi ou não foi salvo. “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8,9).

    “como um dos ladrões que estava na cruz ao lado de Cristo foi salvo, se ele não se batizou no rio Jordão?”…

    Lucas 23:42,43
    42 E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando
    vieres no teu reino.
    43 Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje
    estarás comigo no paraíso.

    Porque usei essa passagem do ladrão, eu entendo que qualquer ladrão assumi o risco de morte ou de ser preso, quando pratica seus delitos, salario do pecado é a morte espiritual, e logo poderá vir cadeia e tb a morte fisíca, mais no ultimo minuto um ladrão reconhece Jesus como filho de Deus e pede de uma certa forma perdão. E o nosso lindo e amavel mestre e senhor o perduou !!!!!!!
    Romanos 8
    31 Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
    32 Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?
    33 Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.
    34 Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.
    35 Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?
    36 Como está escrito:Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia;Somos reputados como ovelhas para o matadouro.
    37 Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.
    38 Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir,
    39 Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.

    Gostaria que vc fosse tocada e consolada por essas palavras Bíblicas,
    e confie só em Jesus, ele foi unico que se entregou por nós, nunca
    criticou e fez mal julgamentos de nós.

    Isaías 53
    … 7Ele foi maltratado, humilhado, torturado; contudo, não abriu a sua boca; agiu como um cordeiro levado ao matadouro; como uma ovelha que permanece muda na presença dos seus tosquiadores ele não expressou nenhuma palavra.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *