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Você está - Nomoblidis - Posvenção do suicídio

Você está

Acho que já escrevi sobre tudo que me aconteceu, que aprendi, que descobri da pior forma possível nestes 6 anos sem você Marina

E acho que já não tem mais assunto, que não seja mais do mesmo, que a ausência de quem se ama é sentida todos os dias, posso mudar, viajar, fazer o que for, passe o tempo que passar.

Tem dias e lugares que fica mais latente, mas não deixa de existir, assim como naquela música do Capital Inicial, “Eu vou estar”, aqui eu escrevo “Você está”. 

Eu me recuso a usar o verbo no passado e por isso você está: 

Está inclusive nas fotos em que não aparece, mas que conta um pouco sobre você, dos momentos inesquecíveis, assim como você.

Você está em tudo, nos dias de verão com céu azul e sol latejante, nos dias de outono com ventos frescos e por do sol avermelhado, nos dias nublados, nos dias de chuva e também nos dias frios que você tanto gostava. 

Nos objetos, nos livros que leu e que deixou de ler, nos móveis que ajudou a escolher, na cor da parede que pediu para pintar, nas músicas que você gostava e nas que não gostava, nas séries e filmes que assistiu e comentou, nas que ficou de ver e não deu tempo. 

Nas chaves de casa que ficou na escrivaninha, no tinteiro que comprou e que pouco usou, nas cafeteiras que tanto gostava, nas xícaras e canecas que tanto usou, no café especial que nunca vai tomar, nos refrigerantes com gosto diferente que não deu tempo de experimentar. 

No corredor silencioso e na porta do quarto que não fecha mais, no banheiro sem seus fios de cabelo e no AllStar branco que ficou na lavanderia te esperando para ser lavado. 

No guarda roupa que guarda memórias e na janela que seu pai abre e fecha todos os dias, no celular que nunca mais recebeu ligações ou mensagens, no violão e na guitarra que emudeceram depois que você se foi.

Nas receitas escritas à mão deixadas na gaveta da cozinha, na cadeira vazia na hora das refeições. 

Nas suas comidas preferidas que hoje nos dá uma certa culpa em comer, nas promessas de viagens que nunca serão feitas, nas lembranças daquelas que conseguimos fazer. 

Nos almoços nas casas do seus avós, na rede que nunca mais foi usada e no gancho que nunca mais precisou ser trocado. 

No banco vazio do carro, nos caminhos que passamos te levando ou buscando, nos lugares que fomos e nos que um dia pretendíamos ir.

Está em mim, no seu pai e no seu irmão,  nos seus primos e primas, nos seus avós, nos seus tios e tias, está até nos cachorros que nós nunca pensamos em ter. 

Nas pessoas que você conheceu, nos amigos que fez, está na minha pele, está no meu olhar, nos meus cabelos brancos. 

Está nas pessoas que conheci nesta caminhada, está nas histórias que ouço de pessoas que nem te conheceram. 

Você está no que eu vejo, no que sinto e até na ambiguidade estranha, que ao mesmo tempo que traz gratidão por sua vida entre nós durante os anos de presença física e que me faz sentir uma tristeza sem fim com a certeza que você não pode ser tocada, abraçada, acarinhada. 

Está nas palavras que escrevo e nas que falo com saudades e com muito amor.

Você está no amor que deu e que recebeu e sempre estará em tudo e nem precisava pedir, eu não vou te esquecer. 

No t’oblidaré

20 Comments

  1. Otavio disse:

    Seis anos se passam,mesmo de meu neto querido,nos conhecemos no mesmo tempo temos lembranças e pensamentos diários que saudades desse menino também boas lembrancas eles nos deixaram, tempo bom de senti-los ao nosso lado ,vamos sempre lembrar os bons momentos Saudades um abc a vcs

    • Terezinha C. G. Maximo disse:

      Oi Sr. Otávio,
      O tempo só faz a saudade ficar maior.
      Seguimos caminhando, agradecendo por ter tido a dádiva por ter tido nossos amados mesmo sendo por um curto período, porém não há como deixar de ficarmos extremamente tristes com a partida tão prematura e de uma maneira que deixou tantas perguntas sem respostas.
      Um abraço.

      • Eliane Caetano Alves disse:

        Estou pensando por um luto pela minha filha ela também foi um suicídio não estou conseguindo viver com a perda dela parece que estou num pesadelo ela tinha so 24 anos era um menina que gostava muito da vida não entendo oq aconteceu minha vida parou ela fez aniversário no dia 10 de março e morreu no dia 24 de março 😭😭😭😭😭😭😭

  2. silvana schwertz disse:

    Gratidão por estar, e por compartilhar.

  3. Catarine Arnoni disse:

    Gostaria muito de participar de reuniões presenciais.
    Será que um dia isso será possível?

    • Terezinha C. G. Maximo disse:

      Catarina,

      Ainda não estamos fazendo encontros presenciais.

      Um abraço.

      • Catarine Arnoni disse:

        Então Terezinha, as pessoas falam que temos duas opções. Ou entrar em depressão e viver no automático ou tentar ser “feliz” e seguir a vida, porém as coisas não são bem assim.
        Praticamente dois meses que minha filha de 34 anos se foi e eu não estou conseguindo suportar a ausência dela.
        Uma saudade que rasga o peito.
        As vezes parece que meu coração está sendo esmagado e saindo por entre os dedos…
        Acordo todo dia num pesadelo e vou dormir com uma sensação de abandono que nem sei explicar, isso quando não me pego no meio da madrugada orando desesperadamente para Jesus cuidar dela esteja aonde estiver.
        Sou espírita e a visão do espiritismo para quem se suicida e de deixar qualquer mãe no desespero.
        Não quero que minha filha sofra mais do que já sofreu.
        Cansei de enxugar as lágrimas que caiam se seus olhos como cachoeira.
        A vida não tem nenhum sentindo, pois o tempo todo tenho uma sensação de que algo está errado e não dá pra mudar.
        Como viver assim?
        Tenho mais dois filhos e as vezes tenho vontade de partir para tentar sair desse estado de incômodo total e ao mesmo tempo preciso ficar com os que ficaram…
        Difícil viver assim …

    • Nilton disse:

      Catarine, o GASS – Grupo de Apoio aos Sobreviventes de Suicídio, programa do CVV, tem reuniões presenciais em 4 postos: Abolição, Pinheiros, Carrão e Guarulhos. Acesse o CVV GASS para saber dias e horários das reuniões.

      • Patricia disse:

        Nilton , obrigada
        A todas e todos meus sinceros sentimentos e solidariedade.
        Meu irmão decidiu ir embora., há quase 9 anos . Eu pensei quer essa tristeza ia passar. Mas o que acontece é que não – eu não choro mais , travei por dentro . Fico rodando em círculos , em falso , sem sair .
        Therezinha , obrigada pelo blog e um abraço apertado.
        Patricia

      • Patricia disse:

        Nilton , obrigada
        Patricia

      • Paulo disse:

        Sou um enlutado pela minha esposa, aos 36 anos, sendo 22 anos de convivência. Tenho procurado ler sobre o assunto e nos relatos para tentar me fortalecer e seguir nesse “recomeço”. Somente quem passou por essa indescritível dor tem a dimensão da diferença do nosso luto e de muitos questionamentos que não temos respostas…confusão de sentimentos e sensação de impotência, pois não temos o que fazer. Agradeço pelo espaço. Por vezes somos até ignorados por uma sociedade que julga e que não ajuda!

  4. Andréa disse:

    ❤️

  5. Adriana Garcia disse:

    Marina, sua mãe traduz em palavras o sentimentos de muitos sobreviventes. Vc está nas falas dela, o amor não morre, principalmente esse de mãe ❤️

  6. Patricia disse:

    A todas e todos meus sinceros sentimentos e solidariedade.
    Meu irmão decidiu ir embora., há quase 9 anos . Eu pensei quer essa tristeza ia passar. Mas o que acontece é que não – eu não choro mais , travei por dentro . Fico rodando em círculos , em falso , sem sair .
    Therezinha , obrigada pelo blog e um abraço apertado.

  7. Paulo disse:

    Sou um enlutado pela minha esposa, aos 36 anos, sendo 22 anos de convivência. Tenho procurado ler sobre o assunto e nos relatos para tentar me fortalecer e seguir nesse “recomeço”. Somente quem passou por essa indescritível dor tem a dimensão da diferença do nosso luto e de muitos questionamentos que não temos respostas…confusão de sentimentos e sensação de impotência, pois não temos o que fazer. Agradeço pelo espaço. Por vezes somos até ignorados por uma sociedade que julga e que não ajuda!

  8. Ohana disse:

    Perdi meu irmao mais novo para suicídio fez um mês, e está sendo muito pesado por que eu não sei como lidar com isso na minha vida, eu e meus irmãos perdemos nossa mãe qndo ela tinha 29 anos e tb por um “suicidio induzido por ela,, por que ela tinha uma doença que poderia ser tratada e viver normalmente mas preferiu jogar todos remédios fora e viver até aonde dava, e meu irmãozimho mais novo não conheceu ela, fomos criada por nossa vó, uma criação difícil, conturbada, embora ela criou com a gente com a forma dela de demonstrar amor , eu e minha irmã passamos mais conflitos até com a situação da minha mãe por que presenciamos na nossa infância conflitos da nossa mãe com drogas e álcool , e nosso irmão mais novo não teve essa infância difícil , ele foi criado desde bebezinho pela nossa vó após nossa mãe adoecer e morrer, e apesar dessa ausência de mãe,, ele sempre sentiu mt falta da figura materna,, sempre muito emotivo, se envolveu com drogas tbm, e sempre procurando alguém que pudesse preencher esse vazio, se envolvia com muitas namoradas que quando ele não dava certo, punia seu próprio corpo, eu sai de casa após ficar maior de idade por que a convivência com minha vó sempre foi difícil,,decidir ir embora da minha cidade para tentar uma vida melhor pra mim e tirar as lembranças de infância tb que me traumatizaram e eu queria muito que meu irmão mais novo fizesse isso, saisse dessa cidade, conhecesse novas pessoas vivesse uma nova vida como eu fiz e fosse feliz , mas infelizmente ele foi piorando, se afastando mais de mim e da minha outra irmã mais nova, e ele decidiu ir pra outra cidade pq ele tinha um relacionamento com uma garota que ele amava, e por conta de algum conflitos com ela ,decidiu se matar em uma cidade longe , deixo uma carta dizendo motivos que ele fez isso, mas só mencionou ele na carta, é como se só tivesse existido ela na vida, isso ta me matando por dentro pq eu me preucupava tanto com ele, sempre mandava mgs, sempre q ele precisava eu ajudava ele, mas simplismente ele decidiu ir embora e deixar palavras só pra ela e tbm dizendo q queria encontrar a nossa mãe, a minha vida são contadas por história triste, primeiro ter que lidar a dor de perder a minha mãe qndo eu tinha 10 anos , e agora suicidio do meu irmão mais novo, é como se o brilho da minha vida fosse apagando cada dia mais, e eu sempre forçando esse brilho continuar, hj eu vivo em uma cidade boa, fiz a minha vida conheci uma pessoa maravilhosa mas eu me culpo pq eu tive previlégio de dar certo ? De ter conseguido sair do q me machucava e recomeçar, e pq meu irmão nao teve essa mesma sorte?? Pq ele n conseguiu ser feliz? Isso acaba comigo, a vida dele inteira foi triste e final triste, e eu me sinto extremamente cansada de sofrer por finais triste das pessoas q eu mais amei,

    • Terezinha C. G. Maximo disse:

      Sinto muito por sua perda.
      Por mais que tentamos buscar por respostas para o fato de uma morte assim atravessar nossas vidas, não a encontramos, apenas buscamos nos conformar e nos confortar da melhor maneira que conseguimos.
      Falar sobre, escrever, desabafar pode ajudar a desenrolar a quantidade de sentimentos misturados que as vezes nem sabemos nomear. É tanta tristeza, raiva, medo, culpa que as vezes parece que vão nos sufocar e que não vamos dar conta.
      Um abraço.
      Terezinha.

  9. Michelle Esteves de Carvalho disse:

    Minha filhinha tão amada partiu há 23 dias…Sem avisar.
    23 longos dias de incredulidade, saudade, tristeza…
    Meu coração dói…🖤
    Estou, estamos devastados💔

    • Terezinha C. G. Maximo disse:

      Michelle,

      Sinto muito por sua perda.
      É surreal uma morte assim e ficamos incrédulas e com todos os sentimentos e emoções misturadas que as vezes pensamos que não vamos dar conta de tanta dor.
      Receba meu abraço.

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