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No luto, você sabe que não é o mesmo que era - Posvenção do Suicídio

No luto, você sabe que não é o mesmo que era.

Depois da morte da Marina, não consigo ouvir músicas como antes e outro dia estava na fila do caixa de uma farmácia e começou a tocar uma música em inglês que me chamou a atenção, primeiro pelo ritmo gostoso que remeteu a alguma música conhecida, que não até hoje não consegui decifrar e depois pelo refrão. 

A música é do tipo chiclete, que grudou, eu fiquei com ela na cabeça e a  procurei na internet, não conhecia nem a música e nem quem cantava,  trata-se de “As it was”, do cantor inglês Harry Styles.

Ao ouvir e ler a tradução, ela me remeteu ao luto.  E pensei:

 “ Achar que a letra de uma música pop inglesa, seja sobre luto, chega a ser um absurdo!”

” Mas o que é absurdo, sendo que o maior já me aconteceu?”  

Enxergar luto em tudo, por um tempo foi uma preocupação, eu conseguia ver luto em tudo e parecia que o tema me perseguia, levei o assunto para a terapia, entretanto, o luto faz parte da vida e que antes de ter que enfrentar um, não percebia.

Não sei se a música realmente fala de luto, mas me chamou atenção a letra e o título “Como era” e tem a afirmação no refrão “Você sabe que não é o mesmo que era”, depois que sofremos uma perda significativa, sabemos que a vida não é mais a mesma, nem nós somos, isso é algo óbvio, mas que aceitar as mudanças a curto prazo não é algo tão fácil como muitos pensam ser. 

Escrevi, pouco tempo depois da morte da minha filha, o quanto a morte muda a vida de quem fica, em todos os sentidos e que passei a viver carregando a ausência e aprendendo a lidar com ela, dia após dia e de como não é simples acordar todos os dias e aceitar essa mudança tão radical.

Cinco anos e alguns meses depois me perguntaram se aceitei a morte e tive que explicar o quanto os significados das palavras têm peso no processo de luto.    

E que aceitar que a morte aconteceu, eu aceitei, pois ela é um fato, e que morte trouxe mudanças e que a vida que tinha não existe mais e que para sobreviver preciso me adaptar a ela e que não tem como voltar ao que era antes e que às vezes acreditava ser possível e que cheguei a achar que havia perdido o domínio das minhas faculdades mentais. 

Pois esse luto é perturbador,  escrevo e leio e acho que não estou dizendo coisa com coisa e aí lembro de uma amiga que falou que quando pais enterram um filho, eles têm o direito de ter devaneios e creio que seja o de todos os enlutados, é que por um passe de mágica, nada do que aconteceu tivesse acontecido. 

Mas aconteceu, então o que me resta é viver essa nova vida e me dar o direito de divagar, às vezes sobre palavras e em outras sobre uma música pop ouvida na fila do caixa da farmácia, divagar sobre o quão confuso é tudo isso, mas é assim que consigo seguir adiante, no meio ao caos que minha vida virou e compreender que não sou igual como era, mas que o amor permanece. 

1 Comment

  1. Flavia Domingos Pinto disse:

    Perdi meu único filhos aos 18 anos por algo inexplicável que é o suicídio. Esta difícil levar em frente a vida. Foram 18 anos eu e ele unidos . Ele era um menino com um brilho sem igual que eu tinha medo da maldade do mundo maltratar ele de tanta ingenuidade . Enfim, quero me unir a vocês para adquirir forças e ajudar ao próximo

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