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Suicídio é uma escolha | Nomoblidis posvenção de suicídio

Suicídio é uma ESCOLHA?

Segundo o dicionário Michaelis, a palavra escolha tem 7 significados e para nós enlutados ela tem um poder de nos deixar com raiva, tristes e confusos.  

Para o senso comum, suicídio é uma escolha. 

Então no luto por suicídio nós enlutados temos que lidar com o fato da “escolha” pela morte. Pensar que nossos amados que morreram por suicídio tiveram “escolha” nos machuca, pois se houve escolha, por qual motivo não escolheram continuar a viver?

Essa é uma pergunta que nos aflige muito. 

Sempre estamos fazendo escolhas, a vida é repleta delas, mas as fazemos com essa consciência de que ao escolher algo, não poderemos ter a outra coisa preterida.

Mas escolher entre viver ou morrer não é como escolher entre sabores de uma pizza, se vai ou não comprar um carro ou até mesmo usar sapatos ou chinelos, não é simples assim.

“Suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial.” (OMS)

Dentre os significados desta palavra, há um que diz que para a escolha deve haver discernimento.

Isso implica a possibilidade de que se houvesse escolha, ela NÃO tenha sido em sã consciência, já que a pessoa que se matou estava em adoecimento psíquico que não permitiu uma escolha.

Quando contamos sobre a vida de quem se foi, constatamos que muitos deles, mesmo sem um diagnóstico de transtorno mental, tinham comportamento de alguém que não estava bem emocionalmente. 

Ter um problema de saúde não é uma escolha, mas cuidar da saúde é. Porém, muitos nem sequer sabiam que podiam ter essa opção, o desconhecimento acerca de muitos problemas é muito grande ainda nos dias de hoje. 

“Aquilo que não é consequência de uma escolha não pode ser considerado mérito ou fracasso.” (Milan Kundera – A insustentável leveza do ser)

Ouvir que nossos amados fizeram a escolha de morrer enquanto tantos outros com doenças terminais lutam pela vida, os classificando como egoístas e ingratos, nos deixam desolados. 

Buscamos respostas para os motivos que uma pessoa tira a própria vida e uma delas é de que uma pessoa com pensamentos de auto destruição não tem o sistema cognitivo funcionando corretamente por inúmeros motivos. 

Existe uma visão em túnel que trata-se de uma distorção cognitiva, a pessoa interpreta algumas situações sempre de forma negativa, não conseguindo ver outras alternativas. 

Através desta explicação percebemos que nossos amados estavam com a mente tão perturbada e sem saída, sendo assim não houve escolha. 

E com todos os nossos compartilhamentos, percebemos que nossos amados não escolheram morrer e sim tirar a dor que para eles era algo insuportável e muito menos escolher deixar esse vazio imenso e sem fim. 

Não há escolha quando se perde a esperança. 

“Escolhe, pois, a vida” (Deuteronômio 30) 

Uma pessoa em pleno uso de suas faculdades mentais, saberia escolher entre viver e morrer, é natural do ser humano temer a morte e fugir dela. 

Algumas pessoas com doenças terminais não desejam a morte, tanto que almejam um milagre, elas não escolheram estar passando por todo sofrimento,  mesmo que tenham sido negligentes com sua saúde ao longo da vida. 

E por mais que uma pessoa com uma doença terminal tenha força de vontade e fé, como muitos gostam de frisar, isso não é o suficiente para que a morte não ocorra, quando os órgãos vitais não aguentam mais e decretam falência.  

E por qual motivo uma pessoa com um transtorno mental escolheria então a morte e não a vida, sendo que sua condição pode ser semelhante ao que sofre por uma doença física? 

São perguntas que fazemos e nem sempre obtemos respostas.  

“Toda escolha diz quem eu sou.”  (As escolhas – Lulu Santos)

Muitos de nós não tinha a ideia da existência de grupos de apoio ao luto por suicídio, e devido a tudo que nos aconteceu, foi nestes grupos que acabamos encontrando um certo conforto e a escolha de fazer parte de algo tão inusitado beirava a mais um absurdo que tudo que o suicídio nos traz. 

Não escolhemos fazer parte das estatísticas de afetados pelo suicídio, mas escolhemos nos acolher e entender um pouco mais sobre o suicídio e sobre o luto, escolhemos fazer parte de um grupo que nunca gostaríamos de ter conhecido. 

A escolha de não ficar sofrendo sozinho e ajudar a quem passa pela mesma situação, mesmo não sabendo se isso seria possível soa estranho.

A escolha de abrir mão do anonimato e falar abertamente sobre o luto por suicídio, fez alguns de nós serem constantemente acessados para contar as experiências de como é viver após a morte de quem se ama. 

“Aonde está você agora além de aqui dentro de mim?” (Vento no litoral – legião Urbana)

E com toda certeza, apesar de toda tristeza e pesar,  acreditamos que as escolhas que nós fizemos de buscar apoio, honra a vida de quem se foi, pois enquanto estivermos vivos, nossos amados também estarão vivos em nossas memórias. 

Texto extraído do “Pequeno Dicionário do Luto” – Uma reflexão sobre as palavras no Luto por Suicídio.
Pequeno dicionário do luto

Colaboraram com este texto*: 

Adriana, mãe da Isabela

Aline, esposa do João

Dulcinea, mãe do Rafael

Ivo, pai da Ariele

Joseval, pai da Marina

Lígia, mãe da Julia

Renata, irmã da Fabíola

Terezinha, mãe da Marina

*Alguns colaboradores preferiram o anonimato

3 Comments

  1. María José Lopes Barbosa de Almeida disse:

    Perdi meu filho de 18 anos há 6 meses. Encontrei ele no seu quarto.

  2. Carolina disse:

    Eu perdí meu esposo há 6 meses. Eu encontrei ele em nossa casa. Tinhamos 24 anos de casados. Nos amábamos muito, más ele escolheu o suicidio. Eu me pergunto todos os días o por qué. E não tenho resposta, nei consolo. Eu tenho una dor indescriptível. Acho que o suicídio é como um tsunami, um terremoto que destroi tudo. Un abraço desde Uruguai

    • Terezinha C. G. Maximo disse:

      Carolina, sinto muito por sua perda.
      As perguntas sem respostas nos deixam atordoadas, e realmente o que nos aconteceu se assemelha a um tsunami, destrói tudo, nossa vida, nossos sonhos.
      E começar a reconstruir leva um tempo que cada um tem o seu.
      Um forte abraço.

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