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Luto é um vazio cheio de tudo

Luto é um vazio cheio de tudo

Li outro dia que “Saudade é um vazio cheio de tudo” e estou há 4 anos com uma saudade que só aumenta, mas eu sigo assim, com esse vazio cheio de tudo e por isso acredito que essa frase se aplica também ao luto, pois no luto tem de tudo, um vazio representado pela ausência física e rodeado por um emaranhado de coisas, de sentimentos, que nem sempre consigo nomear. 

Quando fui informada da morte da minha filha, fiquei pensando em como conseguiria seguir adiante sem a presença física dela e volta e meia me pego refletindo em vários momentos de como eu consegui chegar até aqui, e só tenho uma resposta, pelo amor.

O amor que vai preenchendo esse vazio e que vou tentando pegar o restante dos sentimentos e colocar cada um no seu devido lugar. 

Por muito tempo eu pensei que os pais deveriam ensinar aos filhos todas as coisas da vida, mas me enganei, os meus filhos são os meus professores, mestres em me mostrar novas formas de viver e enfrentar os desafios que me são impostos pela vida e minha filha me ensinou muita coisa e mesmo depois de sua morte, continua me ensinando. 

Ontem, participando de um encontro do Death Café Brasília, foi perguntado sobre uma música do Marcelo Jeneci, “A gente é feito pra acabar”  e imediatamente lembrei de uma música que a Marina gostava muito, do Cícero, “Tempo de Pipa” passei esse tempo todo sem ouví-la e hoje me permiti ouvir e refletir bastante sobre a letra. (segue abaixo a musica)

A música fala de relacionamentos que começam e terminam a cada instante, como num raiar do dia, onde o sol anuncia um novo ciclo e o Tempo de Pipa, para quem já soltou pipa é isso, um deixar ir e depois puxar para perto novamente.

Marina foi como uma pipa, que se soltou no ar e o vento a carregou para longe, mas que deixou tanta coisa boa que tento buscar para perto, nas minhas memórias a sua forma de ser livre e me mostrar que tudo bem, a que a cada dia eu posso me inventar de novo, inventar um novo jeito de amar, um novo jeito de acolher a minha dor, um novo jeito de sentir sua presença.  

E neste vazio cheio de tudo, o amor prevalece, a saudade cresce, assim como a  esperança de poder mostrar o que significa esse luto na minha vida e na vida de muita gente, um luto carregado por uma dor que dilacera, que condena a escuridão, mas que na busca por uma luz a cada amanhecer, posso me inventar de novo e preencher aos poucos o vazio com todo o amor que ficou.

3 Comments

  1. Vanuce Bento dos Santos disse:

    Gratidão a Deus por nossa Lindas Meninas cheias de imensa luz
    Lindo texto,representação real de vida e sentimentos
    Imenso beijo com muita luz.

  2. Marcia Matos disse:

    Lendo você, Terezinha, penso nesse vazio de saudade como uma janela que dá a outras formas possíveis. Um lugar além de onde se está, e que amplia as dimensões de tempo. Uma outra definição, entre tantas, para o amor.

  3. Cláudia Regina Carneiro disse:

    É Terezinha é uma dor sem fim, ás vezes acho que estou tendo uma parada cardíaca, pois a dor é muito forte, dor de saudades, dor de revolta, dor de culpa, dor de arrependimento , fazem 5 meses que meu menino se foi, se suicidou, eu estou totalmente perdida, tive que voltar a trabalhar após 1 mês da sua morte, isso pra mim é um sacrifício terrível, ter que levantar todos os dias pra trabalhar e fingir e fugir de pessoas pois não tenho vontade de falar e conviver com ninguém, me afastei totalmente da família e amigos , sei que eles só querem me apoiar , mais sei que tudo com eles acabam em festas , e não me vejo preparada pra isso, estou indo buscar ajuda, pois espero não precisar tomar medicamentos pois não sei o que é dormir uma noite toda de sono e acordar e lembrar do que aconteceu com meu filho, meu bebê, meu primogênito que me ensinou a ser mãe da Mayara , uma linda mulher que está segurando toda minha barra, que era apaixonada pelo irmão e que não tem ninguém pra segurar a barra dela, pois me sinto destruída e é uma tortura conversar sobre ele ainda, e sinto que ela quer falar e eu não permito.

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