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Aprender, apesar da dor

A morte da Marina me fez aprender algumas coisas, da pior forma possível, diga-se de passagem.

Uma delas é que definitivamente, eu não tenho e nunca terei o controle sobre nada e nem sobre ninguém, as vezes nem eu me controlo e quem dirá controlar um outro ser autônomo e que por mais que faça por ele, nem sempre conseguirei obter o resultado desejado.

Eu achava que a depressão da Marina estava sendo controlada e que tudo que fazíamos em prol de sua recuperação, era só uma questão de tempo, a terapia e os medicamentos estavam colocando tudo nos eixos pois ela aparentava estar aderindo ao tratamento.  Mas esqueci que nem tudo dependia de mim, de meu empenho e de minha fé e sim de outros fatores e estes eu não podia controlar.

Outra, o significado real da palavra EMPATIA, que no dicionário quer dizer: capacidade de compreender o sentimento e de se colocar do lugar da outra pessoa.  

Geralmente esta capacidade aflorava com relação alguns fatos corriqueiros, coisas simples,  por isso, eu não esperava que todos ao meu redor fossem empáticos pois se tratando de suicídio é uma coisa absurdamente difícil de ser feita. As pessoas geralmente são simpáticas e não empáticas.

Nem sempre as pessoas vão entender os meus sentimentos e minhas reações diante de certas circunstâncias. Como já aconteceu, algumas respeitaram, mesmo não entendendo e outras simplesmente se afastaram, a princípio, fiquei muito sentida, mas agora eu entendo. 

Entendo, pois não dá para exigir algo de alguém, que nem sabe o que é perder uma pessoa que se ama, não sabe o que é o luto e pior ainda, um luto por suicídio. Só conhecem da vida coisas de fácil assimilação, nunca precisaram passar por algo semelhante, quem dirá imaginar como é. 

E é natural as pessoas fugirem de assuntos tristes, vivemos em um mundo que as lágrimas só podem ser derramadas se forem de alegria, o choro por dor, por tristeza, por saudades deve ser contido, deve ser reprimido.

A verdadeira empatia descobri nos grupos de apoio, onde as pessoas tem o mesmo sentimento que eu. Não me julgam e não acham que meu choro, o meu desânimo, a minha impaciência,  sejam algo que deva ser superado rápido, pois o tempo está passando e a vida continua.

Nestes grupos, descobri em mim uma vontade imensa de ajudar a quem como eu, sofre, e a ajudar a evitar, se for possível, que outros venham a sofrer do mesmo mal.

Mas enfim,  apesar das feridas, irei sempre agradecer por ter a capacidade de aprender, apesar da dor e por ainda ter forças para seguir adiante,  mesmo que me arrastando.

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