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20/05/2018

Poucos dias após a morte da Marina, uma pessoa muito querida para mim, falou que eu estava sofrendo muito  porque  ela era a minha filha preferida e isso me magoou demais.

Fico incomodada quando me dizem para ficar bem logo, que preciso entender que foi a Marina que morreu e que estou viva e que a vida continua. Como se fosse possível apagar  um filho da vida de uma mãe, dando a impressão de que ele nunca existiu.

Assim como a dor, amor não se compara e eu não tenho filho preferido,  eu não deixei de ser mãe de dois, continuo sendo a mãe do Edgard e da Marina, ela não deixou de ser minha filha, mesmo depois de morta.

E aquela frase batida de que “nem os dedos da mão são iguais”, faz realmente sentido,  cada um tem um significado e importância  em minha vida. Não amo um mais do que o outro,  o amor é o mesmo, por ambos, cada um do seu jeito.

Ela era uma pessoa muito fácil de amar, ela se permitia e demonstrava isso, já ele devido o espectro autista que ele possui, é contido, sério e prático, mas o amor é igual, só que demonstrado de formas diferentes, e ele sabe disso, pois respeito o seu jeito se ser.

Ele não fala da morte da irmã, eram amigos, eram diferentes em vários aspectos, mas ela o entendia como ninguém. No dia que ela morreu o comentário dele sobre o fato foi de que  nós nunca iríamos saber se ela tomou os medicamentos para dormir ou para morrer, pois a resposta só ela tinha.

E depois da morte dela, fiquei meio neurótica com relação a segurança dele, fico aflita em ter que deixá-lo sozinho, se ele demora mais que o normal no banho ou no quarto eu já entro em parafuso.

Mas uma coisa eu entendi, que eu preciso cuidar de mim  para poder cuidar dele e que nossos lutos são vivenciados de maneiras distintas. Evito ficar tocando no assunto, pois ele não gosta de falar. E que ficar tentando administrar o luto alheio é prejudicial para todos, e que o esforço gasto nisto, deve ser canalizado para outras coisas.

Eu enquanto viver, farei o  que for possível e o impossível pelo Edgard, o meu primeiro amor, e continuarei a falar da Marina com carinho para quem quiser ouvir.

Ser mãe para mim é ter um amor que ultrapassa a barreira da vida e definitivamente é o maior amor do mundo e um amor que não se compara nem mesmo entre os filhos.

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