Amor não se compara
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O tempo
27/05/2018

O Segundo Domingo de Maio, que se comemora o Dia das Mães é  um dia difícil para mães que perderam os filhos e também para filhos que perderam a mãe.

Meu primeiro dia das mães sem a Marina foi no ano passado e assim que acordei tive a impressão que não iria conseguir me levantar da cama, mas eu lembrei que por vários anos trabalhei nesta data, que trata-se de uma data comercial e para mim seria um dia como outro qualquer e eu sou mãe do Edgard e tenho a minha mãe.

Este ano foi igual, saudades eu sinto todos os dias e para mim dia das mães e dos pais são todos os dias em que podemos compartilhar momentos juntos. É claro que dói não receber o abraço dela, mas como digo sempre, ela vive em mim e  eu busquei forças para ficar bem neste dia e ele passou sem contratempos.

Mas no decorrer da semana fiquei  pensando como uma mãe é massacrada com relação a tudo que acontece com os filhos. Afinal de contas é ela a responsável por trazê-lo ao mundo e dela a obrigação de zelar por ele, de protegê-lo, de educá-lo e fazer dele uma pessoa feliz.

E para uma mãe que perdeu o filho por suicídio, essas obrigações tem um peso descomunal, pois é preciso encontrar um culpado, e desde os primórdios, culpa de algo errado ou pecaminoso, é atribuída a mulher e hoje isso ainda persiste com todas a forças.

Como é  difícil ser mãe, como é difícil ser um humano e ao mesmo tempo buscar por super poderes que nos atribuem, pois para algumas pessoas,  as mães devem possuir poderes sobre humanos, enxergar além dos olhos, conhecer sobre todas as coisas, saber de tudo, consertar tudo e não é admitido falhas.

Pensei no quanto a maternidade é romantizada, em quanto eu endeusei meus filhos, não vendo neles problemas que as vezes  consegui ver em outros. Assim como as mães são colocadas em um pedestal os filhos também são.

Fiquei pensando no quanto a  mãe tem que ser perfeita, e eu não sou, nunca fui e não tenho pretensão de ser. Eu sou humana, e nenhum humano é perfeito. Busco me aperfeiçoar, mas não faço disso uma meta, apenas uma forma de sobrevivência.

Durante este luto que vivo, decidi que não devo aceitar rótulos, que não preciso de afirmação e de confirmação de ninguém, só eu sei o quanto me dediquei aos meus filhos.  Sei que falhei muito, mas que fiz o possível com as informações que eu tinha, que procurei ajuda onde não podiam me ajudar e que me culpar por isso ou culpar os outros é uma injustiça.

E que viver buscando resposta para algo que nunca saberei, consome minhas energias e que essa energia deve ser usada de forma mais benéfica para mim e para os outros, e que o passado já foi e não volta, futuro não sei se virá mas que eu posso buscar uma forma melhor de viver esse futuro.

O luto que vivencio é um emaranhado de sentimentos que as vezes me deixam mal e por hora me fazem refletir muito e que hoje eu posso ter a conclusão de que o segundo domingo de maio será sempre o dias das Mães, assim como eu sempre serei a mãe da Marina e enquanto eu viver ela viverá em mim. 

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