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Aceitação
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O luto é um sobe e desce de emoções sem fim. Tem dias que eu me conformo, acredito que estou aceitando, mas de repente alguma coisa faz com que volte toda aquela sensação de desamparo e desalento e vem todos aqueles sentimentos de dúvidas, de angústia, tristeza carregada de muitas saudades.

Saudades sempre irei sentir é fato, mas essa é diferente um misto sentimentos que acaba se transformando em uma dor que não sei nomear, uma dor que não tem nome.

Trata-se de saudades diferente das outras, tenho lembranças de minhas avós, meus avôs e tios que já partiram, mas quando lembro é gostoso, dá aquele aperto no peito, mas passa logo, gostoso lembrar dos momentos bons, até surge um sorriso no canto da boca. Sorrio  quando vejo algumas fotos antigas, conto ou escuto algumas histórias. 

Essas saudades gostosas, me fazem querer visitar os lugares onde passamos momentos bons, comer comidas que me trazem uma certa nostalgia. Sentir cheiros, ouvir músicas.

Mas as saudades da Marina me faz evitar certos lugares, não consigo ouvir músicas que ouvíamos juntas, não consigo cozinhar os pratos que ela gostava.  Ainda não tenho forças e coragem para fazer certas mudanças, mas acho que um dia terei, só sei que ainda não consigo.

As vezes penso que sou egoísta por querer minha filha aqui, mesmo sabendo que ela estava sofrendo, pois acreditava  também que o sofrimento poderia ser apaziguado com o tempo. Egoísta por não querer sofrer com a ausência dela sendo que se ela estivesse aqui, quem poderia estar sofrendo seria ela, ou não, talvez tivesse encontrado uma forma de amenizar, teria superado, mas eu não sei e nunca saberei. 

Só sei que hoje reconheço que se a dor que ela sentia se assemelhar a essa que sinto, essa dor que não tem nome, que eu sei a origem, mas não consigo nomear, se a dor for parecida, ela lutou e pereceu pois realmente é muito difícil brigar com algo que você não tem controle e que nada nem ninguém pode tirar.

E que o tempo até agora não trouxe essa cura que tantos dizem que traz, pelo contrário, faz com que essa saudade doída fique mais torturante.

Eu não tive vontade de desistir, pelo contrário, eu busco me fortalecer, busco em minha fé e no compartilhamento desses sentimentos mostrar que sou humana e que hoje estou triste e que talvez nunca mais terei a felicidade da forma que um dia experimentei, mas eu ainda busco ser feliz de uma forma diferente, e quem sabe um dia poder nomear essa dor que hoje sinto mas que ainda não tem nome.

2 Comments

  1. ligia mastrangelo disse:

    Só posso te dizer que sei EXATAMENTE o que você esta falando. Ontem a minha menina faria 29 anos. E eu ontem vivi esse turbilhão de “egoísmo” que você fala. Foi em um 07/04 que eu re-conheci a minha menina. Foi lindo. Foi mágico. E agora viver essa data sem ela aqui não faz nenhum sentido. Falta ela. E eu me pego pensando que “SE” ela tivesse conseguido passar daquele momento tão trágico e “SE” ela tivesse dividido comigo a sua dor. “TALVEZ” ela conseguisse achar uma outra saída. Uma solução para a dor dela.
    E, sim. Eu fico me perguntando se a dor dela era parecida com a minha. Eu também não consigo desistir, mas me pego tentando entender essa dor que ela sentia e acabo achando que deveria ser terrível. Pq a minha é e a dela deveria ser muito maior que a minha. Eu me pego pensando e pensando e pensando e não sei dizer nada. Só dói. E as vezes dói de uma forma que não tem nem nome.

  2. Terezinha C. G. Maximo disse:

    Lígia, e essa dor sem nome só sabe quem a sente e nós infelizmente sabemos. Um forte abraço.

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