Retrato na parede - Posvenção e prevenção do Suicídio
Retrato na parede
02/07/2020
Suicídio um grande tabu - Nomoblidis Posvenção de Suicídio

Foto de Gemma Evans obrigado por compartilhar seu trabalho no Unsplash

Suicídio um grande tabu

Suicídio é um grande tabu e alguns especialistas no assunto dizem que o ato é uma forma de comunicação.

escrevi sobre isso e volto novamente com o tema pois desde quando ouvi sobre essa forma de comunicação me pego pensando nisso e percebo que a generalização do suicídio é algo que machuca mais e mais quem ficou, pois cada ser é único e complexo e a individualidade mesmo que em um contexto semelhante, pode produzir desfechos diferentes.

Suicídio e a Comunicação

E essa tal comunicação que tanto falam também é bem complexa, como tudo que envolve o tema suicídio. E então quando ouço e leio sobre a comunicação, que devemos ouvir o que o outro tem a falar lembro que a comunicação não é apenas a palavra, o falar, é o ler, o ouvir e o agir.

E essa comunicação falha entre quem se foi e quem ficou, cai como uma nota de descaso,  não conseguir enxergar que o outro tinha um sofrimento tão intenso, não conseguiu ver a necessidade de tratamento ou algo assim só aumenta a culpa.

Estar na mesma Sintonia

Para mim, para que a comunicação seja clara, preciso ter no outro o entender, e isso às vezes não é tão simples, pois nem sempre o emissor da mensagem está na mesma sintonia do receptor, não há sintonia com o sentir do outro, não há conexão e às vezes quem tenta transmitir uma mensagem acredita que está sendo claro, mas o outro não consegue sintonizar o que foi dito, escrito ou demonstrado com atos, pois as conexões são outras.

Assim como algumas pessoas lerão estas palavras e não vão entender, outros com certeza dirão que me entendem, pois estas que entendem estão na mesma sintonia pois estão sofrendo da mesma dor.

Dou o meu exemplo, mesmo minha filha falando de morte, quando a encontrei caída, não imaginei a morte, imaginei um desmaio por fraqueza, pois ela não estava se alimentando corretamente. Nem o fato dela caída e desacordada, fez com que eu entendesse a mensagem.

A minha relação com a Marina era de diálogo, não havia assunto proibido, ela podia contar comigo e com o pai sempre, mesmo que nós  ficássemos bravos ou não concordássemos com algumas coisas, sempre chegamos a um consenso, não havia assunto que não pudéssemos falar.

Assim como eu não entendi que ela poderia se matar, mesmo ela falando que a morte seria uma solução, ela também não entendia quando eu dizia que para tudo havia jeito, não  entendeu que para a morte, não.

Um sinal de alerta

Quando ela disse que nós não precisávamos mais nos preocupar com ela que ela havia desistido da morte, eu entendi como uma melhora e não como um sinal de alerta, que era uma comunicação de perigo e ela não entendeu que sua morte nos traria muita dor.

Talvez não tenha sido falta de comunicação, foi  falta de sintonia, eu tenho plena consciência que me comuniquei da forma que sei e ela também, mas nossas sintonias eram outras. Por mais que eu achasse que a entendia e a conhecia, eu me enganei.

Eu queria que ela ficasse bem mas ela não estava tendo esperança com relação a nada, eu via um futuro brilhante para ela e ela não conseguia enxergar o que eu via. Ela se desencantou com vida e eu tentava mostrar a ela uma vida que ela não conseguia mais ver.

Nossos pontos de vistas eram diferentes.

Eu a Marina sentíamos dores, mas diferentes, não quero medir dores, dores são dores, e só sabe do tamanho quem a sente. A minha era da mãe que via a filha sofrer e não sabia o que fazer para tirar a dor dela, e dela uma dor existencial, que ela não sabia nem como começava e nem como explicar e que buscava o alívio para a dor que ela sentia.

E por mais que todos ao redor tivesse se esforçado para ajudar, talvez no entendimento dela, ninguém poderia ajudá-la.

E todas as vezes que tentamos decifrar o que se passou na cabeça dela quando ela tomou essa decisão sem volta e tentamos supor algo baseado no que ocorreu antes, fica mais complicado de entender e nós ficamos rodando em círculos, sem sair do lugar.

Eu, depois de todo esse tempo, chego a conclusão e concordo com vários estudiosos no assunto:

Suicídio é um grande tabu.

Por séculos  filósofos, médicos, religiosos, sociólogos e psicólogos se perguntam e enumeram motivos  e buscam respostas, tentando decifrar o que levam alguém a desistir de viver e tirar a própria vida.

Muitos têm suas teorias baseados em estudos e pesquisas, mas mesmo com todos o emaranhado de suposições, nunca uma resposta irá acalentar e confortar quem ficou, pois até mesmo quem se foi, talvez não saberia responder a essa pergunta.

2 Comments

  1. Marisa disse:

    Vdd ,as respostas foram juntos com quem foi ,a dor e a saudade é muito grande,a culpa é o que mais me corrói por dentro …hj a única coisa que quero e espero é morrer logo p reencontra lá ….

  2. Sabrina disse:

    Todos os dias penso na minha mãe que cometeu suicídio. Faz 2 anos e 5 meses que tento sobreviver com essa dor e com o sentimento de culpa. Sinto que falhei como filha, faltou diálogo, comunicação e tratamento adequado. Ela tinha depressão.

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