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Viver o luto para não viver em luto.

E se passaram 365 dias que colocamos o blog no ar, um blog para falar de algo que ninguém quer ouvir e ler, um blog que retrata a dor, que só quem passou ou passa pelo luto tão complicado sabe como é.

Sobreviver ao suicídio de quem amamos é extremamente difícil, não é simplesmente tocar a vida e esquecer de quem se foi, como muitos sugerem ou imaginam ser, nem achar que o tempo passando as coisas voltam ao seu lugar e que não existe superação, apenas vamos aprendendo a viver sem o nosso ente querido.

Foram  365 dias que cuidamos com carinho desse espaço, que nasceu da dor e da necessidade de se falar de algo tão obscuro, que muitas famílias tratam como segredo, que muitos acham que é uma maldição.

O Suicídio está aí à espreita de muitos e que cresce invisível no silêncio da desinformação e não falar no assunto não diminui o número de mortes pelo contrário só aumenta e que ao tomar forma leva não só quem realmente tirou a vida, destrói a vida de quem ficou,  obrigando a carregar uma dor imensurável e buscar por respostas para perguntas que nunca serão respondidas.

Hoje fazemos um balanço destes 365 dias em que nos mostramos como humanos desprovidos de qualquer vaidade, em carne viva, reconhecidos por alguns que passam pelo mesmo e por outros que não passaram, mas que se sensibilizam com a causa.

A primeira impressão que tivemos e que nos assustou muito foi a desinformação sobre o luto em forma geral e que a sociedade não sabe acolher o luto e que a morte ainda é um Tabu até entre alguns Profissionais da Área de Saúde Mental  não tratam como um processo e que cada pessoa tem o seu tempo para elaborar sua perda e quando trata-se do luto por suicídio, que é carregado por culpa, este tempo pode ser bem mais extenso.

Depois, a de que o Luto por Suicídio realmente é um luto solitário, enlutados não se isolam, como muitos supõem, mas são isolados e evitados. Vivemos em um mundo onde busca-se a felicidade a todo custo e mostrar tristeza depois que se perde alguém passado um certo “prazo”  para muitos é sinal de doença ou de fraqueza.

Outra constatação é de somos milhares, mas que poucos se encorajam a mostrar o rosto, pois o medo do julgamento é muito grande, muitas vezes tem a ver com a falta de respeito com a história de quem se foi e com a família de quem fica.

Suicídios acontecem diariamente e ao serem noticiados, muitas dessas notícias são sensacionalistas, não há cuidado com a dor alheia, divulgam de forma simplista, apontando apenas uma causa. Se são jovens, são considerados mimados, ingratos, quando são  adultos, fracassados, alcoólatras, drogados, se forem idosos, negligenciados, abandonados e todos retratados como egoístas, sem fé em Deus.

Esquecem que essas pessoas eram filhos, mães, pais, esposas, maridos, irmãos, avós, netos, amigos, de alguém e eram humanos adoentados, e que por  vezes nem eles sabiam de sua enfermidade.

Que o suicídio acontece em qualquer classe social, em qualquer etnia, em qualquer religião, em qualquer faixa etária, em famílias grandes, médias e  pequenas. Não há privilégio neste caso, esse mal pode atingir qualquer um. Que não importa a idade de quem se foi o impacto é imenso para quem fica.

Foram vários textos compartilhando  nossa triste trajetória, cada texto com nossos sentimentos e descobertas desta nova vida e descobrindo que quanto mais dividimos, mais forças encontramos para conseguir seguir em frente.

Costumamos dizer que estamos no mesmo barco do luto, buscando um norte e percebemos que nós que já estamos neste barco há algum tempo, precisamos manter o barco estável para que, os que infelizmente estão chegando consigam subir a bordo, se nós que já estamos dentro não segurarmos o barco, os que estão subindo cairão na água e irão se afogar nas águas turvas da culpa, raiva, vergonha, dos ses e porquês. E manter o barco estável é nossa meta neste momento e os que nos move é o amor e a empatia.

Por fim, recebemos muitos e-mails de agradecimento, pedidos de ajuda, respondemos alguns comentários, fizemos muitos contatos pelo Brasil e até no exterior, nos dispomos a dar entrevistas, a ajudar em trabalhos de estudantes de psicologia e de  jornalismo, e concluímos que Suicídio é um imenso Tabu e que sim, precisamos falar e principalmente acolher, quer seja com palavras, quer seja com abraços.

O Blog acabou dando vida à um Grupo de Apoio aos Sobreviventes Enlutados e temos estudado novas formas de expandir o apoio, ainda não sabemos exatamente como, mas estamos amadurecendo algumas idéias.

E que com tudo isso, nossa filha Marina permanecerá  viva em nossos corações, em nossas lembranças e em nossos ações.

6 Comentários

  1. Renata disse:

    Só tenho que agradecer pelas suas palavras , sua força e coragem!

  2. Otavio Guilherme Carfoso disse:

    Muita força paroa vcs.abcs.

  3. Otavio Guilherme Carfoso disse:

    Muita força para vcs.fiquem em paz.💕

  4. Maria Clara Palomares Vidotti disse:

    Parabéns Terezinha pelo seu blog, pela sua iniciativa e pelo seu belíssimo trabalho e
    agradeço principalmente pelo seu acolhimento e por dar voz ao nosso sofrimento. Beijos

  5. Queridos Terezinha e Joseval, agradeço pelo blog, pela página, pela presença de vocês no grupo … Tanto vocês tem ensinado a outros sobreviventes e a nós também. Estamos juntos nessa jornada, embora de perspectivasaber diferentes. Mas nossas mãos estarão sempre unidas. Um abraço carinhoso e que vocês continuem com esse trabalho lindo. Marina continua viva aqui e nas memórias de quem a conheceu (ainda que tenha sido depois de sua passagem).

    • Terezinha C. G. Maximo disse:

      Luciana, nós que agradecemos imensamente pelo lindo trabalho de vocês do Vita Alere, falo isso todos os dias que se não fosse o acolhimento que tive no grupo não sei o que seria de mim hoje.
      Marina só deixou lembranças lindas e é para perpetuá-las que resolvi trilhar esse caminho.
      Um grande abraço.

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