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05/09/2018
o buraco negro do luto por suicídio

Esta semana completei mais um ano de vida, o segundo sem a Marina. No primeiro consegui passar por ele de forma serena, acredito que foi devido a não fazer muitos planos e justamente neste dia ocorreu um evento que me deixou entretida boa parte do tempo.

Mas neste foi bem difícil,  já na madrugada perdi o sono. Pela manhã o abraço do Edgard, que é um verdadeiro presente, pois devido ao Espectro Autista ele não gosta de contato físico e esses abraços acontecem só em ocasiões especiais,  foi um misto de alegria e de tristeza.

Ao receber algumas mensagens de felicitações meu coração já sangrava e fiz um esforço danado para ficar firme.

Eu moro e trabalho em uma cidade onde o dia 20 de agosto é comemorado o aniversário da cidade, portanto é feriado, então meu dia não teve a rotina de trabalho e isso me fez uma tremenda falta.

Foi inevitável lembrar que nos anos anteriores costumava ter um dia especial com meus filhos, nos anos da Bienal do Livro íamos para o Anhembi, em outros saíamos para passear e a noite recebia meus pais, familiares e amigos para cortar o bolo que eu sempre preparava.

Lembrar do passado e da forma como a Marina me dava os parabéns foi arrasador. Juro que preferia ter pulado este dia, ter dormido o dia todo e só acordar no dia seguinte.

Mas ele passou e o que me ajudou foi ter ido conhecer o Grupo de Apoio do Vita Alere em Santos e a reunião  foi como se as minhas baterias tivessem sido recarregadas por mais algum tempo e eu só tenho a agradecer às pessoas que estavam presentes pelo acolhimento, pelos compartilhamentos, pelos abraços e compreensão.

E um outro acontecimento que ocorreu foi que Joseval resolveu fazer uma faxina  embaixo da escada de nossa casa, uma espécie de quartinho das bagunças que a Marina chamava de Buraco Negro, pois tudo que colocávamos lá era como se fosse sugado para nunca mais ser encontrado e para achar  algo tínhamos que entrar para procurar e uma vez lá dentro para sair era a maior dificuldade.

Encontramos alguns livros que havia sido dela, alguns objetos esquecidos e automaticamente muitas histórias que nos remeteram ao passado de alegria e felicidade e lembrar de como ela se referia ao quartinho me fez mais uma vez refletir e comparar  o luto por suicídio com um Buraco Negro, que te suga para dentro dele onde não há tempo um vácuo sem fim e que parece humanamente difícil se desvencilhar dele.

4 Comentários

  1. Iria Lucia Barbieri Marrafa disse:

    So posso lhe oferecer meus sinceros sentimentos e um forte abraço.

  2. Eliezia Tiago disse:

    Nossa Terezinha, a saudade doi demais.
    Infelizmente, o luto é uma dor constante.
    Receba o meu abraço, mesmo estando distante.
    Saiba que você é uma mãe muito guerreira.
    Beijo.
    Eliézia.

  3. Renata disse:

    Sobreviver as datas comemorativas é realmente um grande desafio para nós que somos sobreviventes! Vem Lembranças em nossas mentes e nos trazem muitas Saudades… Saudades Eternas…..Amor eterno …..

  4. Erenice Barbosa Lemes disse:

    Buraco negro! Definição perfeita para o sentimento da perda de um ente querido por suicídio, a lacuna que meu irmão deixou nos nossos corações e em nossas vidas.

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