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Luto pelo filho vivo - Nomoblidis posvenção do Suicídio

O Luto pelo filho vivo

Conheci muitas pessoas nesta minha trajetória de luto e o que me chamou atenção foram as mães que me procuraram para falar que também haviam perdido filhos, porém não da forma literal da palavra, que elas viviam um luto pelo filho vivo.

Não era pelo filho desaparecido, mas por considerar o filho morto por divergências, por não aceitar a orientação sexual, devido aos filhos serem adictos, viciados em álcool e outras drogas e o mais recente divergências políticas. 

Achei algo inusitado, não quero aqui medir dores, nem julgar ninguém, sei que luto é também um desgosto, amargura e não só por causa de morte.

Tento compreender a desilusão de idealizar um filho e não o ter da forma que foi pensado, mas nunca irei compreender uma comparação com o luto pela morte.

E ouvir algumas histórias me fez refletir muito sobre as relações humanas e o controle que muitas pessoas acreditam ter sobre a vida do outro.

Não entendo isso como amor ou cuidado e sim como posse, egoísmo, capricho,  mas cada um com as suas escolhas, eu não tenho escolha, não tenho minha filha presente. 

A morte é a única coisa irreversível, não tem como voltar, pedir perdão, reconciliar, mas muitas pessoas acreditam neste tipo de morte simbólica como punição que dão ao “morto” e pior comparar com a dor de uma perda real.

Fiquei indignada, com um misto de raiva e pena, não sei o que faz pessoas vir até a mim, falar do filho que elas consideravam morto, para uma mãe com a filha morta literalmente.

Senti raiva por elas estarem desperdiçando o que a vida estava oferecendo, da comparação e pena pelo mesmo motivo e por elas não conseguirem perceber isso, e se ao menos elas estivessem sentindo paz com a decisão que haviam tomado, eu poderia relevar, mas não elas sofrem muito, são amarguradas e infelizes.

E espero verdadeiramente que essas pessoas, que se separam por divergências que poderiam ser resolvidas com uma dose de respeito, não saibam o que é enterrar um filho, não saibam o que é viver um luto em que se faria tudo e mais um pouco para ter a pessoa de volta, mas infelizmente é humanamente impossível.

4 Comments

  1. Jane Lyrio disse:

    Entendo e compartilho do luto de filho vivo, pq você não entende o mal que uma pessoa que você mais ama no mundo( filho) não te ama, não tem gratidão, não valoriza seus sacrifícios, como mãe pelas as opções de vida deles. Tem filhos que não merecem a mãe que tem, então sim existe luto de filho vivo, pq você tem que deixar de conviver para não morrer de desgosto, ou decepção, ou de tristeza, pq mãe não quer posse de filho, quer ver filho no bom caminho, correndo atrás de coisas melhores, se esforçando para ter uma vida melhor e sendo uma pessoa melhor no mundo. Então não tem nada haver com posse, pq quando a gente vê a luta de um filho que valoriza uma mãe a gente faz tudo até não aguentar mais para proporcionar o que preciso for.
    É uma dor grande ver um filho desperdiçar a vida, pq quem entende que a vida é um sopro, valoriza cada hora do dia.

    • Luciane Bracher Rocha disse:

      Concordo com vc Jane, estou passando por isso e é aterrador, pq só falam de luto de mãe, quando há morte do filho….mas meu filho está vivo, mas decidiu aos 30 anos, negar nossa relação que eu achava q era muito boa, de amizade, companheirismo e cumplicidade … Agora, adulto, com esposa e filha de 7meses, acha q eu sou indigna de conviver e já faz 5 meses q nem fotos da minha neta eu vejo, e nossas ‘conversas’ são somente por mail, pois me bloqueou de todos outros contatos…até hj não entendo o q aconteceu, e vivencio sim, a perda da nossa história e relacionamento. Sofro até faltar o ar e a dor física, de q realmente estou despedaçada…quando escrevo sobre o tempo estar passando, ele debocha, ironiza q ainda teremos tempo para nos acertarmos: um dia…é dolorido demais. Os amigos próximos TB foram afastados e conversando com eles, vemos q nem parece a mesma pessoa. Não fico ‘feliz’ de saber q não é só comigo, mas preocupada e impotente com as mudanças de comportamento dele….luto de filho vivo sim!

  2. Eu preferia mil vezes enterrar meu filho em um cemitério. Do que viver com filho vivo, e que não me ama,me despreza,me traiu, me trocou por bens materiais, me abandonou como se eu fosse um saco de ixo. Não me liga, não vem me visitar. Esse tipo de filho eu preferia enterrar literalmente do viver com essa dor de ter um filho morto pra mim. Mas vivo pro mundo. Escolha dele( do filho). Eu aprendi que sangue não é família. Família é quem nos ama verdadeiramente, quem é grato. Família não abandona. Família mesmo ama apesar de tudo. Eu preferia nunca ter parido um filho desse. Pra não estar estar sofrendo agora. Preferia ter ele morto, do que passar por essa ingratidão. Saber que um filho está no mundo vivo e pra vc ee está morto. É pior do que um luto literal. Luto literal tem uma causa. Já o luto causado por um filho. Não são causas naturais. É difícil aceitar a dor da rejeição de um filho. É isso. É a pior dor q existe.

  3. Nice disse:

    Estou com uma dor que não cabe no peito. Meu filho, hoje com 27 e eu com 57, quando ele era pequeno era grudado em mim, foi crescendo e contava pra mim coisas que não contava pra ninguém e na adolescência virou uma ostra. Não conversava mais e foi piorando e eu sempre tentando. Eu sempre ligava só pra saber onde estava e se estava bem. Ele entrou num caminho de mentir e começou a mentir por qualquer coisa, até besteira Um dia descobri que usava drogas. Quase tive um troço. E falou com empáfia. Passou a ser assim. “Não tenho que dizer onde estou, com quem estou, fazendo o que” A casa virou um inferno. Um dia o pai foi tirar satisfações pq a casa não era hotel que se entrava e saia quando quisesse, deixava roupas sujas e pegava as limpas, pegava os pertences nossos. E foi trabalhar. Não lavava um copo, não varrida seu quarto, não trocava a roupa de cama, o guarda roupas era tudo embolado. E comprava e comprava. Passou na mente dês uma disputa comigo. Ele estava trabalhando e eu não aguenta isso, dizia. Quase casou com uma garota que traia ele direto.Sofreu muito. Pediu literalmente colo, dormia comigo, mas a fase passou e voltou pior. Exigi uma colaboração financeira 300,00 isso esse gastava muito mais por semana e ele achava que ajudava muito e não podia ser cobrado de nada.
    Até ontem que falei tudo isso pra ele. Ele está acostumado a ganhar no grito, no cansaço, falando mais alto e junto e não ouvindo nada. Tivemos uma luta corporal. Ele mentiu sobre coisas que a tia falava. Liguei e desmenti. Ele falava sobre coisas que o pai falava, ele queria quebrar a porta, mas escondi a chave, por isso as agressões. O pai chegou e desmentiu.
    Falei para pegar suas coisas e ir embora. Ele foi, mas deixou coisas que vou empacotar e ele dê um jeito de buscar. Não quero olhar aquele quarto e lembrar dele. Vou pintar, trocar tudo. Mas é IMPOSSÍVEL não lembrar tudo que fiz pelo meu filho. Este de agora, morreu.

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