O primeiro ano do resto de nossas vidas
14/03/2018
Aceitação
26/03/2018

Se estivesse viva, Marina teria completado 21 anos ontem, 18 de março. E foi um dia diferente para mim, no ano passado, nesta data, ainda em choque não me dei conta do tamanho do significado do dia.

Ontem percebi que ficar tentando imaginar o que poderíamos ter feito para comemorar se ela estivesse aqui, me maltrata muito, afinal ela não está e nunca mais estará.

Então voltei meus pensamentos para lembrar do dia que ela nasceu e dos anos que pudemos comemorar essa data com alegria e com bolo. 

Os exames pré-natal apontavam que ela nasceria somente em abril, mas nasceu um dia antes do aniversário de 6 anos do irmão. Apressada nos pegou desprevenidos, o parto foi natural, quase não deu tempo chegar a sala de parto.

Após o nascimento tivemos que ser transferidas para outro hospital e na ambulância o motorista se encantou com ela, pois ela havia sorrido, mas a enfermeira disse que não era um sorriso, era um espasmo muscular, disse que bebês não sorriem. Mas para mim já era um sorriso, o primeiro sorriso dos muitos que iluminou nossas vidas por anos.

No dia seguinte  fomos para casa ainda a tempo de cantar parabéns para o Edgard, pois teve bolo. E por anos seguidos os parabéns e bolos eram duplos, não havia tema de festa, era um bolinho na cozinha de casa, com vela, bexigas, amigos e alegria contagiante dos dois irmãos.

Com o tempo e a diferença de idade fez com que Edgard não quisesse mais comemorar junto, mas não tinha jeito, na hora dos parabéns, tínhamos que cantar para ele também, pois sempre tinha bolo.

Nos outros anos, já adolescentes, comemoramos saindo para jantar ou  almoçar em lugares que eles gostavam, mas a tradição do bolo persistia ou torta holandesa, a preferida da Marina.

Ontem não teve bolo, e hoje 19 de março, fiz algo diferente, mas com a mesma intenção, comemorar a vida, Marina não está entre nós, mas temos que continuar a viver e aprender a viver sem ela.

O Edgard está sendo uma força motriz que me empurra para frente, mesmo quando acho que não vou conseguir. E quando o abracei para dar-lhe os parabéns, senti a energia que tanto preciso para continuar a viver.

Hoje, mais  do que nunca agradeço à Deus a dádiva de ter sido mãe duas vezes, uma dura missão que tento desempenhar da melhor forma possível,  com acertos e com erros, pois sou humana e a vida não vem com manual de instruções. 

Marina foi um presente para nossa família, quem a conheceu sabe do que falo, ela era e continua a ser especial, viverá em mim enquanto eu viver, e mesmo sem bolo o dia 18 de março continuará sendo um dia de celebração, mesmo com  lágrimas de tristeza por não tê-la mais entre nós, celebrarei  o dia que ganhei o segundo maior presente de minha vida.

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